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Tecnologia invisível nas rodovias ganha papel crítico em operação e receita na Tamoios

postado em 13 de abril de 2026 com informações de TI Inside


Durante o .NEXT, evento anual da Nutanix realizado em Chicago, Denis Souza, head de Tecnologia e Automação da Concessionária Tamoios, Paulo Marcondes, coordenador de TI, e Gabriel Amorim, head de Engenharia da Populos, detalharam como a infraestrutura tecnológica tem se tornado um dos pilares da operação rodoviária, tanto do ponto de vista de segurança quanto de receita.

A entrevista evidencia como a rodovia, muitas vezes percebida apenas como infraestrutura física, depende de uma base digital altamente sofisticada para operar.

"Você acha que ali é só o asfalto ou a cabine do pedágio, só que é muito além disso", afirmou Denis Souza.

 

Operação rodoviária depende de infraestrutura digital distribuída

A Tamoios opera 118 quilômetros de rodovia com uma estrutura tecnológica extensa, que inclui conectividade por fibra óptica ao longo de toda a concessão, Wi-Fi distribuído, estações meteorológicas e mais de 1.400 câmeras.

Esses sistemas alimentam o Centro de Controle Operacional (CCO), responsável por monitorar a rodovia em tempo real e também compartilhar informações com órgãos reguladores.

"Tudo isso está conectado. Tudo isso é tecnologia", afirmou Souza.

A operação também envolve alto nível de automação, especialmente nos túneis, considerados um dos ambientes mais críticos da rodovia.

 

Automação de túneis exige precisão operacional e resposta em tempo real

Com mais de 38 quilômetros de túneis, a Tamoios opera um dos maiores complexos rodoviários desse tipo no Brasil.

Segundo Souza, a automação permite resposta imediata a incidentes, com sistemas que controlam ventilação, iluminação, sinalização e comunicação com usuários.

"Quando existe um incêndio no túnel, o operador aperta um botão e o túnel automaticamente fecha as cancelas, ajusta ventilação e orienta os usuários", afirmou.

O ambiente conta ainda com câmeras inteligentes capazes de identificar paradas, movimentações atípicas e objetos na pista, ampliando o nível de controle operacional.

 

Praças de pedágio concentram risco financeiro e impulsionam modernização

A modernização da infraestrutura teve início pelas praças de pedágio, consideradas pontos críticos do ponto de vista de receita.

"Quando o veículo passa na praça de pedágio, a gente precisa garantir aquela transação, precisa garantir aquela receita", afirmou Souza.

A concessionária migrou duas praças para uma arquitetura hiperconvergente, com clusters redundantes e processamento distribuído.

Segundo Marcondes, o resultado foi ganho direto em disponibilidade e performance.

"A gente conseguiu ter um uptime de 100%, sem perda de servidor depois da migração", afirmou.

Além disso, houve aumento de cerca de 80% na performance de leitura e gravação de dados.

 

Alta disponibilidade reduz impacto operacional de falhas

Antes da modernização, a operação já apresentava alta disponibilidade, mas eventos pontuais geravam impacto significativo.

"Quando a gente fala 99%, esse 1% impacta absurdamente a praça", afirmou Souza.

Falhas em períodos de alto fluxo, como feriados, podem gerar filas, riscos contratuais e impacto direto na experiência do usuário.

Com a nova arquitetura, a operação passou a contar com redundância entre praças e balanceamento de carga, garantindo continuidade mesmo em caso de falhas físicas.

 

Arquitetura prioriza operação local diante de limitações de conectividade

Diferentemente de outros setores, a estratégia da Tamoios prioriza processamento local, devido às características geográficas da operação.

A rodovia atravessa áreas de difícil conectividade, o que torna inviável depender exclusivamente de nuvem.

"Se eu tenho um problema de comunicação para fora e estiver tudo em nuvem, eu paro a operação", afirmou Souza.

Atualmente, os sistemas operam majoritariamente on-premise, com uso de nuvem voltado a backup.

 

Mais de 30 mil ativos conectados ampliam complexidade da operação

A infraestrutura da concessionária inclui mais de 30 mil ativos conectados e cerca de 60 mil pontos de automação, monitorados continuamente.

"São desde sensores de temperatura até ventiladores e sistemas críticos dos túneis", explicou Marcondes.

A operação é acompanhada 24×7 por equipes dedicadas, responsáveis por garantir disponibilidade e execução de manutenções preventivas.

 

Parceria viabiliza transição tecnológica e formação de equipe

Segundo Gabriel Amorim, da Populos, o sucesso do projeto esteve diretamente ligado ao processo de preparação da equipe e ao entendimento das necessidades do cliente.

"A gente fez um trabalho de formação técnica da equipe e desenhou uma solução sob medida para a necessidade", afirmou.

A abordagem incluiu treinamentos e workshops para garantir adoção da nova arquitetura e reduzir resistência à mudança.

 

Base tecnológica prepara avanço para IA e automação assistida

Com a infraestrutura modernizada, a concessionária já planeja novas etapas de evolução tecnológica, incluindo uso de inteligência artificial.

A proposta é apoiar operadores na tomada de decisão em cenários críticos.

"A IA vai ajudar o operador a tomar decisão, sugerindo ações", afirmou Souza.

Segundo o executivo, o objetivo é aumentar a segurança operacional em ambientes onde decisões incorretas podem colocar vidas em risco.

 

Energia e sustentabilidade entram na estratégia operacional

Além da infraestrutura digital, a Tamoios também investe em autonomia energética, com uso de geradores próprios e planos para implantação de usina fotovoltaica.

A medida busca reduzir custos e aumentar a resiliência da operação, especialmente em cenários de alta demanda energética, como o funcionamento dos sistemas de ventilação dos túneis.

 

Tecnologia se consolida como base da operação rodoviária

A experiência da Tamoios reforça uma mudança de percepção sobre o papel da tecnologia em infraestrutura.

Mais do que suporte, ela passa a ser elemento central para garantir segurança, eficiência e continuidade da operação.

"No final das contas, a gente tem que garantir a vida das pessoas", afirmou Souza.

Fonte: TI Inside