Tecnologia invisível nas rodovias ganha papel crítico em operação e receita na Tamoios
Durante o .NEXT, evento anual da Nutanix realizado em Chicago, Denis Souza, head de Tecnologia e Automação da Concessionária Tamoios, Paulo Marcondes, coordenador de TI, e Gabriel Amorim, head de Engenharia da Populos, detalharam como a infraestrutura tecnológica tem se tornado um dos pilares da operação rodoviária, tanto do ponto de vista de segurança quanto de receita.
A entrevista evidencia como a rodovia, muitas vezes percebida apenas como infraestrutura física, depende de uma base digital altamente sofisticada para operar.
"Você acha que ali é só o asfalto ou a cabine do pedágio, só que é muito além disso", afirmou Denis Souza.
Operação rodoviária depende de infraestrutura digital distribuída
A Tamoios opera 118 quilômetros de rodovia com uma estrutura tecnológica extensa, que inclui conectividade por fibra óptica ao longo de toda a concessão, Wi-Fi distribuído, estações meteorológicas e mais de 1.400 câmeras.
Esses sistemas alimentam o Centro de Controle Operacional (CCO), responsável por monitorar a rodovia em tempo real e também compartilhar informações com órgãos reguladores.
"Tudo isso está conectado. Tudo isso é tecnologia", afirmou Souza.
A operação também envolve alto nível de automação, especialmente nos túneis, considerados um dos ambientes mais críticos da rodovia.
Automação de túneis exige precisão operacional e resposta em tempo real
Com mais de 38 quilômetros de túneis, a Tamoios opera um dos maiores complexos rodoviários desse tipo no Brasil.
Segundo Souza, a automação permite resposta imediata a incidentes, com sistemas que controlam ventilação, iluminação, sinalização e comunicação com usuários.
"Quando existe um incêndio no túnel, o operador aperta um botão e o túnel automaticamente fecha as cancelas, ajusta ventilação e orienta os usuários", afirmou.
O ambiente conta ainda com câmeras inteligentes capazes de identificar paradas, movimentações atípicas e objetos na pista, ampliando o nível de controle operacional.
Praças de pedágio concentram risco financeiro e impulsionam modernização
A modernização da infraestrutura teve início pelas praças de pedágio, consideradas pontos críticos do ponto de vista de receita.
"Quando o veículo passa na praça de pedágio, a gente precisa garantir aquela transação, precisa garantir aquela receita", afirmou Souza.
A concessionária migrou duas praças para uma arquitetura hiperconvergente, com clusters redundantes e processamento distribuído.
Segundo Marcondes, o resultado foi ganho direto em disponibilidade e performance.
"A gente conseguiu ter um uptime de 100%, sem perda de servidor depois da migração", afirmou.
Além disso, houve aumento de cerca de 80% na performance de leitura e gravação de dados.
Alta disponibilidade reduz impacto operacional de falhas
Antes da modernização, a operação já apresentava alta disponibilidade, mas eventos pontuais geravam impacto significativo.
"Quando a gente fala 99%, esse 1% impacta absurdamente a praça", afirmou Souza.
Falhas em períodos de alto fluxo, como feriados, podem gerar filas, riscos contratuais e impacto direto na experiência do usuário.
Com a nova arquitetura, a operação passou a contar com redundância entre praças e balanceamento de carga, garantindo continuidade mesmo em caso de falhas físicas.
Arquitetura prioriza operação local diante de limitações de conectividade
Diferentemente de outros setores, a estratégia da Tamoios prioriza processamento local, devido às características geográficas da operação.
A rodovia atravessa áreas de difícil conectividade, o que torna inviável depender exclusivamente de nuvem.
"Se eu tenho um problema de comunicação para fora e estiver tudo em nuvem, eu paro a operação", afirmou Souza.
Atualmente, os sistemas operam majoritariamente on-premise, com uso de nuvem voltado a backup.
Mais de 30 mil ativos conectados ampliam complexidade da operação
A infraestrutura da concessionária inclui mais de 30 mil ativos conectados e cerca de 60 mil pontos de automação, monitorados continuamente.
"São desde sensores de temperatura até ventiladores e sistemas críticos dos túneis", explicou Marcondes.
A operação é acompanhada 24×7 por equipes dedicadas, responsáveis por garantir disponibilidade e execução de manutenções preventivas.
Parceria viabiliza transição tecnológica e formação de equipe
Segundo Gabriel Amorim, da Populos, o sucesso do projeto esteve diretamente ligado ao processo de preparação da equipe e ao entendimento das necessidades do cliente.
"A gente fez um trabalho de formação técnica da equipe e desenhou uma solução sob medida para a necessidade", afirmou.
A abordagem incluiu treinamentos e workshops para garantir adoção da nova arquitetura e reduzir resistência à mudança.
Base tecnológica prepara avanço para IA e automação assistida
Com a infraestrutura modernizada, a concessionária já planeja novas etapas de evolução tecnológica, incluindo uso de inteligência artificial.
A proposta é apoiar operadores na tomada de decisão em cenários críticos.
"A IA vai ajudar o operador a tomar decisão, sugerindo ações", afirmou Souza.
Segundo o executivo, o objetivo é aumentar a segurança operacional em ambientes onde decisões incorretas podem colocar vidas em risco.
Energia e sustentabilidade entram na estratégia operacional
Além da infraestrutura digital, a Tamoios também investe em autonomia energética, com uso de geradores próprios e planos para implantação de usina fotovoltaica.
A medida busca reduzir custos e aumentar a resiliência da operação, especialmente em cenários de alta demanda energética, como o funcionamento dos sistemas de ventilação dos túneis.
Tecnologia se consolida como base da operação rodoviária
A experiência da Tamoios reforça uma mudança de percepção sobre o papel da tecnologia em infraestrutura.
Mais do que suporte, ela passa a ser elemento central para garantir segurança, eficiência e continuidade da operação.
"No final das contas, a gente tem que garantir a vida das pessoas", afirmou Souza.
Fonte: TI Inside